Chego em casa, tenso, cansado, com a cabeça cansada. Não me suporto mais. É assim há mais de um ano. Mas ainda não são 21h.
Abro a geladeira. Tradição. Quem não abre? Nada. Como poderia ter? No congelador, mais um pouco de nada: gelo. Pego três pedras, coloco no copo, completo com água. Olho para a garrafa de 51. Não.
Está sedo, troco de roupa, coloco uma calça leve, a camisa é a mesma, e um moletom.
Pego a coleira e saio. Ela já está toda agitada, corre até o portão e volta até mim. Repete isso uma três vezes, até o espaço não ser suficiente. Coloco a coleira nela e saímos.
Me puxa, corro, ela me acompanha. Caminho, volta a me puxar, eu puxo e vamos.
Volto a correr, olho para cima, o sinal está aberto para quem vai e vou. Não vejo o carro que estava um pouco atrás de mim, dando seta.
Pega ela com tudo! Quase vou também.
Corro para vê-la, está apagada e suja de sangue, mas inteira, não vejo cortes grandes aparentes.
Enquanto isso, o motorista desce do carro, olha para o para-choque dianteiro, abaixa, passa a mão e joga os braços despreocupado. Entra no veículo que para o trânsito, nos contorna e segue viagem.
De uma das esquinas, um homem com um avental corre carregando uma pequena maca dobrável. Ele cumprimenta, abaixa e arma o equipamento. Juntos, pegamos ela com cuidado e a deitamos na maca.
Seguimos em silêncio até o açougue de onde ele saiu e vamos até a sala do fundo. Lá tem uma mesa de tampo de metal muito limpa no centro, onde a colocamos, um balcão que segue toda a extensão da parede, com equipamentos e máquinas do comércio.
-Era a minha velha amiga... Já tinha uns cinco anos.
Ele para de cortar o bucho por um instante e me olha com cara de pêsames.
-Ela me amava. Foi o único amor verdadeiro que me tiveram - reflito - foi o único amor verdadeiro que conheci.
Sem querer me interromper, me pergunta:
-Como quer o corte?
-----
-O que der em bife, o resto fica com você.
-Tem certeza? Obrigado - responde sem me dar tempo para pensar.
A cabeça continua inteira, mas já não é mais a mesma coisa, não tem nenhuma expressão, está morta.
Lembro-me de quando a ganhei. Ela apareceu na casa da minha irmã, mas não tinha como criar. Acabei pegando e peguei gosto.
-É...
Os bifes estão prontos, ele embala, e me entrega.
Volto devagar, em luto. As vezes tinha raiva dela, mas não era dela. Era de mim mesmo, de não cuidar dela direito, limpar suas sujeiras, banhar passear... Não era por falta de tempo, mas de paciência e vontade. Era um reflexo do que fazia comigo mesmo, mas eu não reajo como ela reagia.
Chego em casa, é mais de meia noite. Não vou dormir ainda. Pego uma frigideira derreto um pouco de manteiga e passo dois bifinhos dela.
Ceusurado
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
1ª sessão de tortura
Estou cansado.
O corpo doendo, não consigo pensar direito.
De joelhos, abaixo a cabeça.
-Olha pra cima.
Olho pra frente.
-Pracima caralho!
Mais um soco.
Agora sentado.
-(acordou?) Olha pra cima, porra!
Minha cabeça cai pr'atrás.
Pisco.
-Não é para dormir!
Minha boca aberta. Coloca uma bolacha dentro.
Tira o sapato e com o calcanhar da sola bate no meu rosto.
A bolacha cai.
-Segura essa porra com os dente que vai ser melhor para você, tô te avisando!
O grampo da chupeta fura meu saco, imagino, por um instante, que nunca vou sentir dor maior.
Era claro que estava enganado. Liga a outra ponta na minha coxa. Seguro. 1. 2. E...
Duro pouco tempo.
Meio sedado, acordo, é confuso. Vejo médicos. (ele tá acordando). Injetam algo.
Não consigo imaginar como é na cela. Como o tempo passa. Se a dor passa.
O corpo doendo, não consigo pensar direito.
De joelhos, abaixo a cabeça.
-Olha pra cima.
Olho pra frente.
-Pracima caralho!
Mais um soco.
Agora sentado.
-(acordou?) Olha pra cima, porra!
Minha cabeça cai pr'atrás.
Pisco.
-Não é para dormir!
Minha boca aberta. Coloca uma bolacha dentro.
Tira o sapato e com o calcanhar da sola bate no meu rosto.
A bolacha cai.
-Segura essa porra com os dente que vai ser melhor para você, tô te avisando!
O grampo da chupeta fura meu saco, imagino, por um instante, que nunca vou sentir dor maior.
Era claro que estava enganado. Liga a outra ponta na minha coxa. Seguro. 1. 2. E...
Duro pouco tempo.
Meio sedado, acordo, é confuso. Vejo médicos. (ele tá acordando). Injetam algo.
Não consigo imaginar como é na cela. Como o tempo passa. Se a dor passa.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
não vale comer arroz sem babador.
se a vida fosse uma flor,
eu cagava nela
se a vida fosse feita de amor,
eu cagava nela
a vida é feita de estupro
sem estupor
a vida é uma rosa.
coloque um babador
eu cagava nela
se a vida fosse feita de amor,
eu cagava nela
a vida é feita de estupro
sem estupor
a vida é uma rosa.
coloque um babador
terça-feira, 16 de outubro de 2012
Opções de título:
UqBar
Astenia
Anetia
Necroscópio
Émascular
Exciso/a
Gaifa (mesmo que badalhoca...)
Visage
Dacha
todos acima têm significado, se quiser googla ai. Mentira, tem alguns que tem um pouco de mudanças da minha parte...
Algum nome com construções incomuns no portugues:
çinpÖn
Ou um conjunto de letras que formam um desenho, ou coisa do tipo, dá para mudar a posição das letras...
UqBar
Astenia
Anetia
Necroscópio
Émascular
Exciso/a
Gaifa (mesmo que badalhoca...)
Visage
Dacha
todos acima têm significado, se quiser googla ai. Mentira, tem alguns que tem um pouco de mudanças da minha parte...
Algum nome com construções incomuns no portugues:
çinpÖn
Ou um conjunto de letras que formam um desenho, ou coisa do tipo, dá para mudar a posição das letras...
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Aragão foi só um tiro no muro.
Mas tinha potencial. Acha muito mais útil ter sido uma bala em uma lata ou um alvo. Poderia também ser importante, o ponto entre a vida e a morte ou ficar alojado em um órgão, nem que fosse um músculo estriado mesmo.
Não teve tempo sequer de ver a cor, pelo jeito não tinha nem reboco. Ainda assim não atravessou a camada de tijolo, ficou na segunda câmara.
No dia seguinte ao disparo, teve a sensação de ser observado. Eram dois homens,conversavam sérios, seriedade de quem não gosta, mas tem que conversar.
-Aqui tem mais um buraco - percebeu que não era o único - e parece ser recente - nem o primeiro.
"Talvez se tivessem mais em latas, teriam menos no muro", pensou.
O lugar escureceu, foi quando percebeu que queriam mais. Sentiu uma vareta lhe tocando, ficou nervoso, não sabia o que fazer, não fez.
Logo a vareta saiu e ficou só o constrangimento.
-É 22 mesmo. Não vamos nem tirar. Coloca aí: foi só uma arma.
-Ok.
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
como não tenho escrito muita coisa recentemente, vou postar os testes de diagramação que fiz.
vou ver se faço mais um hoje. infelizmente não dá para virar... Jornal a - Teste Jornal a - Teste 2 Jornal a - Teste 3
vou ver se faço mais um hoje. infelizmente não dá para virar... Jornal a - Teste Jornal a - Teste 2 Jornal a - Teste 3
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Cheirava a Vinagre
o cheiro era constante
não sabia se era na minha roupa, ou no meu corpo
tomei banho, coloquei outra roupa
o cheiro continuava
talvez fosse minha casa, fui até a porta,
o cheiro não some, não diminui, não aumenta
só pode estar na minha cara, no meu nariz
lavo freneticamente, mas nada muda,
tento passar algo na cara, creme, alho,
qualquer coisa que não seja vinagre
então só pode ser minha cabeça,
bebo, fumo, leio, vejo tv, o cheiro me enlouquece,
jogo todo vinagre fora, vinhos,
tambem os jogo, podem ter azedado.
como posso jogar meu vinho fora?
volto, abro um por um, todos cheiram a vinagre,
o cheiro é meu, não do vinho, bebo,
o gosto é de vinagre,
vinagre, tudo agora é fétido e azedo como vinagre.
talvez antes já fosse, mas não tão claro como agora
vinagre, vinagre.
o líquido mais belo se transforma nisso.
a vida mais bela se transforma nisso.
não há mais nada de belo,
só vinagre.
Vinagre.
Vinagre!
sonho vinagre, acordo vinagre,
bebo e como vinagre, olho vinagre,
mijo vinagre, vivo vinagre,
cheira a vinagre
cheirava a vinagre
agora não cheira mais.
Assinar:
Postagens (Atom)